Técnica de bordado
Tipos de ponto no bordado computadorizado: cheio, tatami ou corrido?
Os três pontos básicos do bordado à máquina são o ponto cheio (satin), para letras e formas estreitas de até 10 mm; o tatami (preenchimento), para áreas largas; e o ponto corrido, para contornos, detalhes finos e suporte.
A escolha depende da largura da área: estreita pede ponto cheio, larga pede tatami, linha pede corrido.
Os ajustes que mais mudam o resultado são a densidade, o ponto de suporte por baixo e a compensação de repuxo para o tecido.
Ponto cheio (satin): para letras e faixas estreitas
O ponto cheio é formado por pontos paralelos, lado a lado, que atravessam a forma de uma borda à outra. É o ponto mais brilhante, porque a linha fica esticada e lisa, refletindo a luz. É o ponto das letras, dos contornos grossos, das bordas de patch e de qualquer faixa estreita.
A limitação é a largura: um ponto de linha muito comprido fica frouxo, enrosca e se solta com o uso. Na prática, o ponto cheio funciona bem de 1,5 mm a cerca de 10 mm de largura. Acima disso, os programas dividem o ponto em dois ou três ("divisão automática") ou você troca para tatami.
No Meus Bordados, o ponto cheio é o padrão do texto. Em formas fechadas, você marca as linhas de ângulo com a ferramenta Ângulos para o ponto cheio giratório acompanhar a curva da forma, e nas formas abertas há a Coluna C (largura fixa) e a Coluna A (largura variável). Veja Tipos de ponto e ajustes.
Tatami (preenchimento): para áreas grandes
O tatami, também chamado de preenchimento ou fill, cobre a área com fileiras de pontos curtos (geralmente 3 a 4 mm), deslocados entre uma fileira e outra, como os tijolos de uma parede. Esse deslocamento faz a superfície ficar uniforme e esconder as emendas.
Por ser feito de pontos curtos, o tatami não tem limite de largura e segura bem o uso e a lavagem. Em troca, brilha menos que o ponto cheio e consome mais pontos (e mais tempo de máquina) por centímetro quadrado. Variações de comprimento de ponto e de ângulo criam texturas diferentes; um tatami a 45° em relação ao ponto cheio das letras ajuda a destacar o texto sobre o fundo.
Use tatami em fundos de logo, formas largas de desenhos infantis, letras com mais de 10 mm de largura de traço e aplicações que simulam tecido.
Ponto corrido: contornos, detalhes e suporte
O ponto corrido é uma linha simples de pontos, um atrás do outro. É o ponto mais econômico e o único que funciona em traços muito finos (menos de 1,5 mm). Serve para contornos, detalhes (bigodes, cílios, nervuras de folha), letras de "caneta", pespontos decorativos e, muito importante, como ponto de suporte por baixo de outros pontos.
A variação corrido triplo passa três vezes pelo mesmo caminho (ida, volta, ida) e fica mais marcada, parecendo uma linha mais grossa. É ótima para contornos que precisam aparecer e para letras de 3 a 4 mm, onde o ponto cheio não funciona.
Comprimento típico: 2 a 3 mm. Pontos mais curtos (1,5 mm) seguem melhor as curvas fechadas; mais longos (3,5 a 4 mm) são mais rápidos e lisos em retas.
Qual ponto usar em cada caso? Tabela rápida
| Situação | Ponto | Observação |
|---|---|---|
| Letras de 5 a 60 mm | Ponto cheio | Com divisão automática acima de ~10 mm de largura de traço. |
| Letras com menos de 5 mm | Corrido triplo ou cheio bem estreito | Fonte simples e grossa; teste no retalho. |
| Letras com traço acima de 10 mm | Tatami | Ou ponto cheio com divisão automática. |
| Fundo de logo, formas largas | Tatami | Com ponto de suporte em zigue-zague ou tatami de base. |
| Contorno de forma | Corrido ou corrido triplo | Bordar por último, por cima do preenchimento. |
| Borda de patch ou aplicação | Borda em ponto cheio ou em ponto E | O ponto E prende a aplicação sem cobrir a borda. |
| Detalhe muito fino | Corrido simples | Único ponto que funciona abaixo de 1,5 mm. |
Densidade: o ajuste que mais muda o bordado
Densidade é a distância entre dois pontos vizinhos do ponto cheio ou entre duas fileiras do tatami. Densidade "alta" significa pontos mais próximos (mais cobertura, mais pontos, mais rígido); "baixa", pontos mais afastados (mais leve, pode deixar o tecido aparecer). Um valor comum para linha 40 em ponto cheio é um espaçamento em torno de 0,4 mm; para tatami, um pouco mais aberto.
Quando ajustar: aumente a densidade (espaçamento menor) em tecidos felpudos e escuros com linha clara; diminua em tecidos finos e em letras pequenas, onde pontos demais viram uma placa dura e furam o tecido. Nunca mude a densidade de uma matriz pronta redimensionando: isso é assunto para o arquivo de projeto.
Ponto de suporte: o que vai por baixo
Antes de bordar o ponto cheio ou o tatami, a máquina borda uma camada escondida de pontos corridos ou em zigue-zague. Esse ponto de suporte (underlay) prende o tecido ao estabilizador, levanta o ponto de cima e impede que a linha afunde. Sem ele, o ponto cheio fica chato e o tatami franze.
- Corrido central: uma linha no meio da coluna. Para letras pequenas e colunas estreitas.
- Corrido de borda: linhas ao longo das bordas da forma. Define o contorno e evita que o ponto cheio "vaze".
- Zigue-zague (simples ou duplo): para colunas largas e letras grandes; dá volume.
- Tatami de base: fileiras abertas sob preenchimentos grandes, em ângulo diferente do tatami de cima.
Uma margem de 0,3 a 0,5 mm recua o suporte para dentro do contorno, para ele não aparecer pelas bordas.
Compensação de repuxo: por que a letra sai mais fina que na tela?
Cada ponto puxa o tecido para o centro da coluna. O resultado é que uma coluna desenhada com 3 mm sai com 2,6 mm, e a folga entre as letras aumenta. A compensação de repuxo (pull compensation) alonga cada ponto um pouco além do contorno, na direção do ponto, para compensar esse encolhimento.
Valores de partida: 0,2 mm em tecidos estáveis (algodão, sarja), 0,3 a 0,5 mm em malhas e moletom. Em tecidos muito elásticos, combine com estabilizador cortável, que segura mais. Em contrapartida, não compense em excesso em letras pequenas: os miolos do "e" e do "a" fecham.
Dica: Borde um retângulo de 10 × 30 mm em ponto cheio no tecido do pedido e meça. A diferença entre o desenho e a medida real é a compensação de que você precisa.
Ordem de bordar e trocas de cor
O último ponto define o acabamento. A ordem clássica é: suporte, preenchimentos (tatami) do fundo, ponto cheio das formas e letras, contornos em corrido por último. Dentro de cada etapa, agrupe os objetos da mesma cor para reduzir trocas de linha: cada troca é uma parada da máquina doméstica.
No editor, a lista Objetos, na ordem de bordar mostra a sequência e o botão Simular reproduz o bordado ponto a ponto, com o tempo estimado. Ative Saltos e cortes para ver onde a máquina vai pular. Veja Cores e ordem de bordar.
Perguntas frequentes
Qual a largura máxima do ponto cheio?
Na prática, uns 10 mm com linha 40. Acima disso o ponto fica frouxo e enrosca. Os programas dividem automaticamente pontos mais longos ou você troca para tatami. Alguns formatos de máquina também limitam o deslocamento por ponto (o DST, por exemplo, em 12,1 mm).
Qual a diferença entre tatami e preenchimento?
São o mesmo ponto. "Tatami" é o nome usado pelo Wilcom e por boa parte do mercado; "preenchimento" ou "fill" é o nome genérico. Alguns programas chamam variações decorativas de "preenchimento padrão" ou "motif fill".
Por que o bordado ficou duro, como uma placa?
Densidade alta demais, ponto de suporte pesado demais ou as duas coisas, somadas a um estabilizador grosso. Reduza a densidade (aumente o espaçamento), use suporte mais leve em áreas pequenas e evite sobrepor tatami com tatami.
Qual ponto usar para bordar em toalha?
Ponto cheio para letras, com densidade um pouco maior e um estabilizador solúvel por cima para a linha não afundar nos fios. Para desenhos, tatami com suporte em zigue-zague. Evite ponto corrido simples em felpudo: ele some.
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